quarta-feira, 22 de junho de 2016

Kairós.

KAIRÓS (s.m.);em grego antigo: o momento oportuno, perfeito ou crucial. o acerto fugaz entre tempo e espaço que cria uma atmosfera propícia para ação.
E assim me encontro: em um estado de inteiro kairós. Qualquer momento sendo O momento. Por que não, não é? Acredito que o universo conspire a nosso favor, mas somente quando estamos dispostos a fazer movimentos e quando de fato os fazemos. Afinal, por mais clichê que possa soar, não adianta ficar esperando resultados quando nada se faz para obtê-los.
Apesar de pensar assim, essa ideia não me acompanhou sempre. Não cogitava a hipótese do universo realmente conspirar a nosso favor, não acreditava na força do pensamento e não sei dizer o que mudou. Não li nenhum livro sobre o assunto, não vi nenhum filme ou documentário. Alguém importante já havia comentado comigo há alguns anos, mas, teimosa como sempre, não havia me convencido. Outra pessoa tornou a comentar esse ano, mas não me foi apresentado nenhum argumento novo ou, ao menos, nada que eu acreditasse ser forte o suficiente para me convencer. Nada como os primeiros argumentos antes expostos. Então, não sei dizer o que mudou. Ou talvez saiba.
Nada mais óbvio do que pensar que eu mudei — e eu mudei muito ao longo desses anos. De qualquer forma, dentre todas as mudanças de pensamento que eu tive, essa foi uma muito positiva. Eu sinto que cresci como pessoa e que permaneço crescendo.
Por mais bobo que possa parecer, acreditar que meu pensamento é um grande aliado das minhas ações mudou minha visão. Acrescentou muita coisa. E eu me sinto uma pessoa mais leve agora. Com um coração mais leve, com menos negatividade, porque, nossa, como eu possuía pensamentos pessimistas...
E agora me encontro assim: positivamente leve e disposta, querendo encarar e abraçar o mundo.
Quisera eu, anos atrás, ser um pouco menos teimosa, um pouco mais aberta a ideias divergentes das minhas. Se assim o fosse, tanta coisa teria mudado mais rápido… Porque me foram apresentadas todas as ideias que hoje carrego. Me foram exaustivamente explicadas e incentivadas, mas eu não me importei. Eu fechei os olhos por muito tempo, presa na minha vã ignorância.
Anyway, o importante é que aqui estou, inserida nesse kairós que eu mesma criei e que não planejo abandonar tão cedo.


Postado originalmente em Olhar de Medusa, dia 28 de Julho de 2015.

Kekau.

Abrupto, o medo surge ante a calmaria que havia se instalado. Tal medo, antes apenas conhecido por leituras e relatos alheios, foi hoje provado e que gosto amargo deixaste!
A sensação de desespero que pareceu uma eternidade abre margem para a confusão da mente, para a inquietude e vergonha da alma. Ah, e que vergonha paradoxal! Como é concebível a existência de tal sentimento advindo de algo que não provocastes? Que não quisestes? Ah, como era fácil aconselhar! Como era fácil dar soluções aos abismos alheios...
A sensação de pertencimento ao abismo é o sentimento que ora fez morada, mas chamam-me de Efêmera. Se sou efêmera. Se sei ser temporária, hei de fazer tão sensação também sê-lo. Se nenhuma escuridão dura para sempre, a minha também não há de durar.
O medo do julgamento também nasceu e, com ele, o medo da falta de amparo. Mas quão fortificante e reconfortante é querer correr para certos braços - dentre tantos existentes -, encontrar coragem para fazê-lo e (re)descobrir ali a certeza de um abrigo, apesar de.
Kekau, em indonésio, significa acordar de um pesadelo.
O primeiro passo foi dado.



Postado originalmente em Olhar de Medusa, dia 22 de Julho de 2015.

Follow the Madness.

“Talvez nada aqui faça sentido e a confusão seja maior que o perigo”.
Nunca uma frase se encaixou tão bem em alguém. Meu coração é casa de sentimentos confusos. Porque, sim, a confusão fez morada e não parece ser temporário.
A razão não me abandonou. Eu nunca fui uma pessoa muito racional, então é errôneo dizê-lo. Não se abandona o que nunca se teve. Sempre preferi a intensidade, o pulo sem medo, o sentimento sem consequências, o se entregar. Afinal, acredito ser preferível o viver intenso ao medo da queda. E a razão não anda bem com essa ideia, o que resta por torna-la um freio que eu não tenho.
Exatamente por isso não é fácil me conhecer, me conquistar, me ter, me ganhar. Embora eu respire amor, a confusão é maior do que o perigo de se apaixonar. É que nem todo pulo vale a pena. Mas como é lindo quando vale! E eu pulo quando acredito. Ainda que sozinha, eu pulo. Ainda que com medo, eu pulo. “It’s a shot in the dark, but I’ll make it”.
Talvez, quem sabe, tudo aqui faça sentido. Talvez a confusão não seja, afinal, maior que o perigo. Talvez eu me perca em você. Talvez você encontre um jeito de se perder em mim. Talvez a sorte sorria para nós dois. E quem sou eu para não ser a favor? Nós criamos o nosso paraíso.


Postado originalmente em Olhar de Medusa, dia 3 de Junho de 2015.